Resultado Final

  1. Proposta de Trabalho 

A terceira e última Proposta de Trabalho permitiu-nos explorar a Infografia, destacando a vertente informativa deste recurso. O tema “Poluição Marinha” foi-nos proposto pelo Ciimar, o Interdisciplinary Center of Marine and Environmental Research, e insere-se não projeto “Ocean Action”, um projeto de sensibilização ambiental e de exploração científica, sob o slogan “Poluição do Oceano: Problema Global, Ação Local”. O desafio passava, deste modo, por desenvolver uma infografia que fosse capaz de informar e sensibilizar as pessoas para este problema que tem tomado proporções cada vez maiores.

Este trabalho estabeleceu com metas a compreensão do conceito de imagem enquanto elemento e linguagem de comunicação visual, o desenvolvimento da capacidade de interpretar e apresentar visualmente a informação, assim com a exploração da infografia enquanto linguagem informativa, compreendendo o processo de criação da mesma.

2. Contextualização Teórica – Infografia

“Information graphics give us new ways to understand and think about information. They include a huge category of visuals that are capable of communicating in diverse ways through charts, maps, diagrams, data visualizations and technical, instructional and scientific explanations. It seems that infographics become more valuable as our need to understand a complex world increases.”

– Connie Malamed [1]     

“Infografia é informação gráfica, visual, que existe desde a primeira união comunicativa entre um desenho ou uma pintura enfatizados por um texto alusivo” (Pablos, 1999) [2] e tem trabalhado a par com o jornalismo de modo a “ampliar o potencial de compreensão pelos leitores, permitir uma visão geral dos acontecimentos e detalhar informações menos familiares ao público” (Ribas, 2004) [2]. Alia, portanto, o texto a outros elementos que o complementam e o põem em perspectiva, como por exemplo o gráfico, a imagem, a cronologia, o diagrama ou o mapa, facilitando a compreensão de determinados dados. O nosso cérebro percebe imagens e texto de forma diferente, pelo que o recurso à infografia permite ao leitor perceber novas relações, interpretando e fazendo a sua própria análise. [1]

Muitos autores defendem que a primeira infografia jornalística surgiu no jornal The Times, em 1806, onde era relatado o assassinato de Isaac Bligth, outros consideram que só ocorreram “avanços significativos na produção de infográficos informativos por volta do ano de 1950” [3]. No entanto, é indiscutível que “o trabalho gráfico feito por jornalistas ingleses e norte-americanos nos anos 80 foi uma verdadeira revolução gráfica para os meios de comunicação”, destacando-se a criação do diário USA Today, que “revolucionou o aspecto gráfico do jornalismo impresso” [3]. A Guerra do Golfo constituiu um marco no recurso à infografia, pouco utilizada até então.

Numa entrevista ao JPN, Alberto Cairo, especialista em design e artes visuais, afirma que, para que “a ilustração se considere infografia tem que explicar algo, contar uma história, transmitir informação como uma notícia” e chega a considerar esta “apresentação visual de dados”, um “género jornalístico” por si só. Explica também que uma infografia é adequada para a explicação de “dados frios”, uma vez que, no caso de uma catástrofe provocada, esta não será capaz de representar a forma “como as famílias das vítimas experimentaram a tragédia”, mas será útil na explicação de dados como as causas ou o número de feridos. [4]

3. Conceito

Logo após a apresentação da Ciimar, na qual nos foi apresentado o projeto, resolvi fazer a infografia acerca dos contaminantes que estão presentes em alguns dos peixes de que nos alimentamos, provocados pela ingestão de micro-partículas de plástico. Escolhi este tema não só pelo meu desconhecimento dos dados até à data, como pelo facto de, após alguma pesquisa, não ter encontrado infografias em português com esta informação em específico. Para além disso, considero que uma das melhores formas de sensibilizar as pessoas para as graves consequências da poluição é demonstrar o impacto direto que tem em nós e na nossa saúde.

Importante destacar que a informação necessária para a realização do trabalho foi retirada da apresentação em PowerPoint da Ciimar, de duas notícias da página do jornal Público e do site da Natural Resources Defense Council.

  • Título e lead 

Infografia 5

Segundo Douglas, o título tem a “finalidade básica de dar ao leitor uma orientação geral sobre o assunto que encabeça e despertar o interesse pela leitura” [5], pelo que desempenha uma “função discursiva dupla” – informar e captar a atenção do leitor. Procurei, assim, criar um título sugestivo, que prendesse a atenção, o que me levou a optar por uma interrogação de modo a despertar a curiosidade do leitor.

Já o lead, deve condensar a informação em dados essenciais e deve seguir os mesmos dois objetivos do título. Ou seja, “o lead dá a informação fundamental sobre a ideia A, mas não a esgota” [5] – deve informar o leitor de forma suficiente em relação ao tema/acontecimento mas, ao mesmo tempo, fazer com que este tenha vontade de continuar a leitura. Desta forma, procurei resumir a informação, destacando a quantidade de plástico que é depositada nos oceanos, por ano, e fazendo alusão às consequências que esta traz para a “fauna marinha” e “os efeitos nocivos na saúde humana”.

A escolha de cores prendeu-se não só pelo contraste que se cria entre preto/branco, o que lhe confere algum destaque, como também pelo facto da cor preta realçar a palavra “lixo”, visto que é bastante associada aos sacos nos quais é transportado. Associa-se também, facilmente, aos efeitos nocivos para a saúde, uma vez que é uma cor forte e normalmente ligada a palavras como “dor”, “perigo” e “escuridão”.

O tipo de letra utilizado no lead, e utilizada para todo o texto, foi o Champagne & Limousines, uma tipografia não serifada, de fácil leitura. A escolha recaiu não tanto no fator estético, mas principalmente na legibilidade da letra, algo crucial para a compreensão do texto.

4. Fases do Projeto

A primary aspect of an effective information graphic is its organization, expressed through visual structure. When the information is orderly and chunked into segments—and not all infographics can do this—it makes it easier to process the visual information. According to cognitive research, we can only hold about four or five perceptual units in working memory at one time. When information is organized into small bits, therefore, it is attuned to our innate cognitive architecture.

– Connie Malamed [1]

Optei por dividir a infografia em quatro fases, criando uma espécie de ciclo com início no ato de atirar um objeto de plástico e fim na alimentação humana, seguido de algumas soluções para a redução do consumo doméstico de plástico.

  • Primeira Fase 

fase1

Nesta primeira camada, introduzi dados que permitem ao leitor apreender o panorama geral no que toca à quantidade de plástico existente nos oceanos. De modo a incutir o fator proximidade, coloquei a comparação desse valor com a fila de autocarros articulados de Viseu a Lisboa, possibilitando uma ideia mais visual das quantidades. A cor de fundo terrena, pretende transmitir a ideia de que, apesar de ser abordada a temática da poluição dos oceanos, esta começa com a ação Homem, tem origem na terra. No entanto, a cor azul está sempre presente ao longo das diversas fases, criando associação direta com o tema.

Recorri ao diagrama para incluir os dados, fazendo a ligação entre as imagens e o texto correspondente e chamando a atenção do leitor para diversos pontos, servindo-me do círculo, do rectângulo e das linhas, para obter o efeito desejado.

formas

Para desenhar as formas, recorri à ferramenta “Caneta”, no Adobe Illustrator CS6, contornado uma imagem e, de seguida, preenchendo-a com as cores desejadas. Esta ferramenta é bastante útil, na medida em que possibilita uma maior precisão.

As formas são simples, de tons neutros, e idênticas entre si, de modo a que, quando visualizada como um todo, a infografia se apresentasse com um trabalho coeso, onde todas as camadas se encontram relacionadas entre si.

  • Segunda Fase 

Infografia 2

Esta segunda camada contém informação acerca do que acontece ao plástico, após ser despejado no oceano. O facto de este não se degradar, mas sim dividir-se em pedaços cada vez mais pequenos, preservando, no entanto as suas características, foi um dos factos que mais me surpreendeu, pelo que considerei essencial quebrar o mito de que todo o lixo desaparece.

A utilização da cor azul e das linhas ondulares como fundo pareceu-me a melhor opção para representar este cenário debaixo de água. A clivagem de cores das figuras (peixes a azul e objetos de plástico a preto) deve-se à conotação negativa destes últimos no meio ambiente, ao passo que o azul dos peixes representa, nada mais, nada menos, que a vida marinha.

  • Terceira Fase 

Infografia 3

Como supra referido, tentei alertar para o impacto da transmissão sucessiva: poluição – peixes – humanos. Para isso, tentei recriar o cenário típico de refeição (toalha, pratos, talheres), recorrendo, novamente, a tons terra, pelo que os dados se voltam a focar no ser humano. Optei por enunciar os peixes com níveis mais elevados dos contaminantes a vermelho (reforçando o seu efeito nocivo) no seu organismo, por considerar que se torna uma informação essencial para a saúde pública.

Um dos fatores que me levou a escolher este tema foi, precisamente, ter tomado conhecimento dos malefícios do consumo de peixes como o atum, alimento bastante procurado entre a população. Os efeitos na saúde humana surgem em destaque, procurando chocar.

  • Quarta Fase 

Infografia 4

A finalidade desta trabalho não é, de todo, fomentar a ideia de que deve deixar de ser prática o consumo de peixe, visto que este é benéfico para uma alimentação variada e equilibrada. Pretendo sim alertar para a necessidade de alteração de padrões de comportamento, no âmbito da reciclagem e da reutilização, tendo sido esta a razão por detrás da escolha da cor verde. Com este objetivo, esta última fase demonstra alguns pequenos atos que, se adotados por todos, fazem a verdadeira diferença.

5. Resultado Final

Infografia

6. Conclusão

Este trabalho representou o meu primeiro contacto com a elaboração de uma infografia. Permitiu-me compreender e testemunhar o contributo que esta traz para o jornalismo, apresentando, sistematizando e detalhando informação que o texto não é capaz de transmitir de forma tão clara, acessível e apelativa. No ciberjornalismo, esta representação da informação permite ao jornalista tirar proveito de todas as potencialidades do meio, inovando a cada notícia, pelo que considero essencial que um estudante de Comunicação, nos dias de hoje, tenha contacto com esta técnica.

7. Bibliografia

FERREIRA, Nicolau, (2014), jornal Público, in http://www.publico.pt/ciencia/noticia/ha-mais-de-268000-toneladas-de-plastico-a-boiar-nos-oceanos-1679165

NRDC, Natural Resources Defense Council, in http://www.nrdc.org/health/effects/mercury/effects.asp

[1] MALAMED, Connie, in http://understandinggraphics.com/design/themes-for-a-good-infographic/

[2] – RIBAS, Beatriz (2004), in http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2004_5iberoamericano_salvador_infografia.pdf

[3] – CECILIO, Evane e PREGORARO, Everly (2011), in http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/8o-encontro-2011-1/artigos/A%20infografia%20no%20jornalismo%20impresso%20alem%20da%20simples%20contemplacao-%20um%20novo%20modo%20de%20se%20fazer%20jornalismo.pdf/at_download/file.

[4] – CAIRO, Alberto (Entrevistado) e BRANCO, Catarina (jornalista), (2008), JPN, in http://jpn.up.pt/2006/07/11/infografia-nao-e-uma-linguagem-do-futuro-e-do-presente/

[5] – FONTCUBERTA, Mar de, “A Notícia” (1999), Editorial Notícias

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s